Sentira o suar da seda e suas mãos sobre as minhas, os olhos alagados paralelos a estes que vos olhara absorto, no mais, a voz que quase lhes faltava dissera-me: resolve-te a vida, “e a minha também”, acho que pensara tão alto qual seu olhar procurando a lua tão bem murmurara. Despi-lhe a luva, ao abrir a mão dela, amarrei com cuidado nas linhas da tua palma meu coração, olhava-lha fixo, feito a força vazia que segura aquele quadro renascentista torto na parede. Já está resolvido. Contigo partirei “até não desistir o destino da gente” baixinho pensei, fechando de súbito os olhos para aquele abrir mórbido co'a força e lentidão que se assevera, mais perto dela, sentia o cheiro do perfume novo. Eis diante de mim o vulto a se ir sem dizer adeus. Acendi a luz, meu coração ao menos estava no lugar e com as mãos ainda suadas prometi: não mais sonhar!
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