quarta-feira, 6 de julho de 2011

...não minha senhora, eu só entrego cartas. Que importa, um poema, antes de tudo com selo e sem remetente, é uma carta. Assim, a maioria, entende minha missão, toma-te e nunca mais me tornará a vê-la. Confesso que mais me aprazava quando iam dentro das garrafas em mar aberto, acontece que nos dias de hoje, dessas só para as sereias. Nem recebo de volta, nunca erro o endereço, podia até errar o nome, de propósito, ao leres verá o teu próprio retrato, aposto, deitado nestas linhas. Sei que se mudara a pouco e és nova na vila, entenda, venho de longe. Pode. Rasgar amassar nem ler ou dar recebido, não precisa já disse. Também sequer escolhi ser carteiro, mas é meu destino, entregar cartas, jamais leio olho tomo partido, apenas cumpro conforme requerido. Pra quem trabalho? Olha minha farda, sou carteiro, saio por aí distribuindo as cartas que me vem a deveras quem. Ainda ontem estiva em Paris, atrás de uma atriz, prestes a estrear, e mesmo ali no palco a entreguei, ela chorou de amores, nos bastidores, já em cena parecia o protótipo script. Ah, nunca vistes a tinta nem os traços da minha pena, aliás, definitivamente não me conheces.



TRMO

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